Arquitectura dos templos

  Não há uma lista oficial dos templos de Macau, já que todos os bairros, becos e ruelas têm o seu pequeno altar onde, pelo menos, Tou Tei, o Deus da Terra, da Rua, do Lugar onde as pessoas vivem, é venerado.  Originalmente a construção dos templos pretendia respeitar a orientação ideal requerida pelo fong-soi, […]

 

Não há uma lista oficial dos templos de Macau, já que todos os bairros, becos e ruelas têm o seu pequeno altar onde, pelo menos, Tou Tei, o Deus da Terra, da Rua, do Lugar onde as pessoas vivem, é venerado.  Originalmente a construção dos templos pretendia respeitar a orientação ideal requerida pelo fong-soi, uma corrente de pensamento que advoga o equilíbrio entre o homem e a natureza e defende que a decoração e o posicionamento dos objectos tem influência sobre a vida dos homens. A arquitectura de um templo era regida pela simetria, mas a destruição dos pavilhões e sucessivas remodelações acabaram por transformar os templos chineses de Macau no que eles são hoje, uma construção de formas caóticas que tenta manter a harmonia de outros tempos. Antes dos aterros de Macau, que ampliaram substancialmente o tamanho da península, alguns dos mais belos templos encontravam-se perto das águas do rio, como que convidando à contemplação, já que tanto o budismo como taoísmo pedem isolamento e recolhimento. Hoje em dia, há templos que só têm uma divisão, e há templos com seis pavilhões, divididos por pátios interiores a céu aberto para deixar fluir o fumo do incenso. Até os pátios podem diferir entre si já que alguns estão repletos de plantas de vaso, outros têm tanques com peixes ou tartarugas, e outros ainda estão vazios. Há templos pequenos e outros enormes, tão grandes que conseguem englobar um museu e uma escola. Há templos que sobem encostas repletas de vegetação, mais se assemelhando a um parque, e outros escondidos no meio de ruas, entre o pato lacado e as motas dos habitantes da cidade. Há templos com portões que fecham e abrem seguindo o horário de funcionamento do pagode, e outros que estão sempre abertos às orações dos fiéis. Mas todos honram uma divindade principal, tendo depois vários altares secundários, no mínimo mais dois, dedicados a outros deuses. E todos têm um responsável pelo templo que tem o dever de receber as ofertas dos fiéis e canalizá-las para o bom funcionamento do pagode.

TEMPLO DE A-MÁ 

 

O templo de A-Má é o maior de Macau. Estende-se por toda uma encosta, conhecida como a colina da Barra que termina junto ao porto interior, antes uma zona de pescadores. É tudo ao ar livre, com alguns nichos que protegem as capelas. Entre os altares, a vegetação continua a crescer livre. O local mais parece um jardim. A capela original foi feita no século XV, tendo sido construída por pescadores de Fujian. As restantes construções datam do imperador Man-Li, em finais do século XVI. Este templo venera onze divindades espalhadas por vários altares que enchem a encosta da Barra. Tin Hau, também conhecida como A-Má, Rainha do Céu, Kun Yam, Deusa da Misericórdia, Tei Chong Wong, Rei do Reino Subterrâneo, Uai To, Protector da Lei de Buda e dos templos budistas, Iok Nôi, Deusa da Gravidez e do Parto, o deus da Guerra, Kuan Kong, o seu filho Kuan Peng e o seu porta-bandeira Chau Chong. No templo de A-Má ainda se venera Tou Tei, Espírito Protector da Rua, Sek  Kom Tong, que protege das más influências e O Nei To Fat, o Buda da Luz Sem Limites. Wong Yau Kan vende gelados há mais de 20 anos à porta deste pagode. O ofício já lhe veio do pai, de quem herdou o carrinho de venda, com mais de cinquenta anos. Todos os dias, das dez às seis, lá está ele, à porta do templo, com as suas caixas de dois sabores frescos para oferecer aos clientes. É um ganha-pão. Um sustento que os dois filhos não parecem querer seguir. “Quando eu vim para aqui, a Barra era o fim do circuito turístico. Havia um terminal de autocarros e, mais à frente, o matadouro, mas mesmo assim já vinham muitos turistas”. Hoje, Wong admite que aparecem muito mais. “Penso que sim, talvez seja abençoado por estar a vender à porta do templo, embora raramente lá vá, só em dias santos”. Tal como o turista canadiano, Wong pouco sabe da história do templo. Só garante estar ali a origem do nome de Macau. Diz-se que o templo de A-Ma terá sido a primeira visão dos portugueses ao aportarem em Macau, tendo assim inspirado o nome do território. Começou como Amagao, ou seja a baía de A-Ma, e, ao longo dos anos, evoluiu até se chamar Macau. A-Má é também conhecida como Neang- Ma, Ma-Chou-Po (deusa da barra), Tien Fei (concubina do céu ou de Deus) ou ainda Tin Hau (rainha ou esposa do céu). É a protectora dos navegantes, contra ondas e tempestades, pela vida dos pescadores e de outros que cortam intrepidamente as águas. A crença popular conta a lenda que fez nascer o templo. Um dia, uma rapariga de Fujian quis embarcar num dos barcos que partiam para o sul. Mas esperava a caridade dos barqueiros, já que não tinha como pagar a viagem. Pois todos lhe recusaram o pedido, menos o mais pobre dos juncos que teve pena dela. No caminho, rebentou uma tempestade e todos os barcos se afundaram, menos aquele que acedera levar a menina. Foi a ela que o levou, pegando corajosamente no leme e encaminhando a embarcação até terra segura. O porto interior de Macau. Ao desembarcar, subiu a um rochedo e nunca mais foi vista. Os barqueiros que tudo viram acharam que se tratava da deusa Neang Ma, e ali erigiram um templo em honra à deusa.

 

TEMPLO TIN HAU – TAIPA

 

O templo Tin Hau está situado na zona antiga da ilha da Taipa. Não é um pagode grande, sendo composto unicamente por uma divisão com um pátio a céu aberto no centro, onde se queimam os incensos. Tin Hau é a Soberana do Céu. A Praça Luís de Camões, na Taipa, está vazia àquela hora da manhã. Do lado esquerdo do templo de Tin Hau, está o bar irlandês, que enche em noites de fim-de-semana. À direita, fica uma pequena loja que aluga bicicletas. O templo de Tin Hau eleva-se no meio da praça da Taipa Velha, dominando as vistas. Feito em granito cinzento, tem uma entrada imponente onde dois grandes candeeiros de papel de arroz pintado dão as boas vindas ao visitante. As enormes portas de madeira têm os tradicionais guerreiros pintados, mostrando aos fiéis que aquele não é lugar para brincadeiras e há que ter respeito pelas divindades, ou sofrer as consequências. A nave principal tem dois altares e é aí que Hong e a amiga batem cabeça a Kam Fa Fu Yan, Deusa da fertilidade, e a Pak Tai, “que serve para tudo”, explica Hong. “Bater cabeça” significa literalmente mexer a cabeça para cima e para baixo em movimentos cadenciados, enquanto o incenso vai queimando entre as mãos. Hong diz que mora em Macau, mas vem à Taipa de propósito para visitar o pagode. “Eu venho quando preciso de reflectir. Não tenho a certeza que resulte, mas pelo menos é mais uma força”. Naquele dia, Hong veio para saber se devia deixar o emprego ou não. Procurar uma decisão entre o sustento e o descanso. “Às vezes também vou a templos em Macau, mas cada pessoa escolhe o templo onde se sente melhor. Os templos são como os amigos, gosta-se mais de uns do que de outros”. Depois de bater cabeça a Kam Fa Fu Yan e a Pak Tai, Hong vai venerar os demais altares onde outras divindades estão representadas, já que os templos chineses nunca são dedicados a uma só imagem. Existem pelo menos três altares nos pagodes, cada um com a sua representação. Há que prestar culto a todas elas, por respeito ou mero medo de eventuais vinganças divinas.

 

Lin Kai – Templo do Regato Plangente

 

O Templo de Lin Kai situa-se na zona do Patane, uma das áreas mais movimentadas e habitadas de Macau. O pagode tem seis pavilhões, todos interligados entre si e conjugados com pátios interiores a céu aberto. O templo de Lin Kai data do séc. XVII e o altar principal é dedicado a Ua Kuong, o deus de cara preta que protege os devotos do fogo. Dentro do templo de Lin Kai só reza o silêncio. Sem devotos, a meio de um dia de Verão, só a empregada de limpeza promete limpar o pó todos os dias. É tímida e ri-se constantemente da vergonha de dar uma entrevista. Sentada numa cadeira à esquerda do altar principal descansa da maratona de ir limpando as cinzas dos incensos dos fiéis. Num templo chinês há sempre incensos a queimar e quem tenha pedidos mais ambiciosos chega a acender espirais que queimarão durante um mês. É muita cinza para a senhora, que prefere não dar o nome, mas, entre hesitações, acaba por dizer que ali trabalha há três anos, quando veio substituir um “velhote que aqui estava há mais de 50 anos e que se reformou com 70 e poucos anos”. Em risos, explica que não sabe rezar, por não ter educação, mas já ganha saúde limpando os ‘santinhos’. Pelos corredores dos templos correm dois gatos que ali moram. Wong e Ha escondem-se debaixo dos altares e comem ratos à noite. A sorridente senhora da limpeza gosta deles. O templo de Lin Kai data do séc. XVII e é dedicado a Ua Kuong, o deus de cara preta que protege os devotos do fogo. O templo divide-se em vários compartimentos, cada um habitado por uma santidade. Num pavilhão anexo há imagens de duas deusas ligadas ao nascimento e educação de crianças, assistidas por 18 figuras de barro, com crianças trepando-lhes pelas pernas. Outra divisão é habitada por 60 figuras douradas representativas dos deuses dos 60 anos, alusivos ao ciclo astrológico chinês, que tem 60 anos. Num último pavilhão, é reverenciado o Deus Macaco, herói de uma das maiores obras da mitologia chinesa, Jornada a Oeste, (Viagem para Ocidente) escrita por Wu Chengen, no século XVI. Na história, o rei dos macacos acompanha um monge budista na sua jornada, passando por uma série de obstáculos, ajudado por super poderes.

 

Templo de Lin Fong – Templo de Lotus

 

Dedicado a Tin Hau, rainha do céu, protectora dos pescadores, está situado a norte da península de Macau. Datando de princípios do século XIX, os fiéis chamam-lhe Pagode Novo. Outras divindades veneradas neste templo são Kun Iam, Deusa da Misericórdia, e Kuan Tai, deus da guerra e protector dos comerciantes e da polícia. Chamam-lhe templo de lótus porque, antes dos aterros, o templo estava em frente das águas do porto interior onde havia muitos lótus. Esta flor é o símbolo de pureza e elevação espiritual. As aulas já acabaram, e embora o calor do verão seja insuportável, os meninos jogam pingue-pongue no pátio da escola. Em cima deles, está um telheiro que se nota ser antiquíssimo. “Claro que já reparámos que é antigo, aliás basta olhar e vê-se logo que é velho”. A Escola de Beneficência Lin Fong foi criada em 1920, dentro do templo Lin Fong, construído em 1592. As crianças gostam de estudar dentro dos muros do templo, mas gostam menos da comida dos monges e das visitas aos altares, a que são obrigados. No entanto, admitem pedir saúde e paz às divindades.  Este pagode é especialmente conhecido por ter sido palco do encontro entre Lin Zexu, o comissário imperial que dedicou a sua vida a combater o tráfico de ópio, especialmente na província de Guangdong, e oficiais portugueses, em 1839. Lin Zexu foi uma das figuras mais importantes na luta contra o contrabando do ópio na China, no século XIX. A sua estátua, assim como o museu dedicado à sua vida, estão integrados no terreno do templo. O templo de Lin Fong é também conhecido por se instalarem ali os mandarins de Cantão quando se deslocavam a Macau, e, de facto, a estrutura do local é bem diferente de outros templos. Em vez de simples pátios interiores onde as divindades gozam a frescura merecida, o templo de Lin Fong é feito de corredores e salas e pátios e recantos. Parece uma casa antiga chinesa, um não-acabar de corredores que levam a novas divisões.

 

KU IAM TONG

 

É um templo budista dedicado à deusa da misericórdia Kun Iam. A construção data da Dinastia Ming, entre 1368 e 1644. É considerado um dos maiores e o mais valioso templo de Macau, em termos artísticos. São quase seis horas e os trabalhadores do templo preparam-se para fechar as portas, terminando de limpar o enorme pagode com três pavilhões separados por dois pátios. Lá fora, Leong também se levanta das escadas com as três patacas que conseguiu amealhar. Há cinco anos que pede esmola à entrada do templo de Kun Iam, mais pela companhia dos transeuntes, do que pelo dinheiro. A avenida do Coronel Mesquita, onde está o templo, é das mais conhecidas de Macau. Ainda ali se elevam as moradias que antes serviam de residência aos funcionários públicos. Perto está também a estação de televisão de Macau (TDM) que difunde em cantonês, mandarim, português e inglês. A avenida é larga e de estacionamento difícil, e o templo de Kun Iam Tong eleva-se no meio do caos como se o tempo por ele não passasse. Este é um dos mais ricos templos de Macau, tendo os frisos dos telhados decorados com imagens de porcelana e um enorme portão à entrada, guardado por quatro gigantes guerreiros de pedra. Todos os templos têm estes guardiões à entrada, mas a maioria, por serem mais pequenos que o de Kum Iam, tem-nos pintados nas portas de entrada. Lá dentro, os pavilhões dedicados aos Três Budas Preciosos, ao Buda da Longevidade e a Kun Iam, assistida por 18 Budas, de cada lado do altar, são divididos por pátios interiores descobertos. “As pessoas que vêm ao templo conhecem-me. Olham para mim e cumprimentam-me com a cabeça, sem uma palavra. E continuam o seu caminho”, diz sorrindo, feliz por ter com quem conversar. Todos os dias Leong se senta naquelas escadas, das 15 às 18. “De manhã não venho porque sou preguiçosa e ao final do dia tenho de ir para casa fazer o jantar ao meu filho”. Dos quatro filhos, só o rapaz ainda é solteiro e lhe dá que fazer. Leong não parece importar-se, sempre serve a alguém, já que o marido com quem casou aos 21, morreu quando ela tinha 32 anos. De pouco prestava diz ela, “já que me levava o dinheiro todo”. Embora admita raramente entrar no templo, de novo, por preguiça, explica que tem um altar a Kun Iam em casa, uma devoção que lhe vem de menina. “Eu nasci perto de Cantão, vim para Macau procurar dinheiro, aos 20 anos. Quando era pequena, devia ter uns nove ou dez anos, estava a trabalhar numa casa, onde era cozinheira. A minha mãe ia-me lá visitar de vez em quando, mas eu já estava sozinha. Um dia, houve um ataque dos japoneses e a casa caiu. Eu fiquei debaixo dos escombros e via o céu lá em cima, por um buraco entre os destroços. Ainda hoje acredito ter sido Kun Iam a salvar-me”. Kum Iam é a deusa da Misericórdia que ouve as preces dos homens. Este templo tem também uma forte importância histórica por ter sido palco da assinatura do primeiro Tratado Sino-Americano – Tratado de Mong-Há, em 1844, entre o Vice-Rei de Cantão, Ki Jing, e o ministro dos Estados Unidos Caleb Cushing. Nessa altura, Mong-Há era só um povoado chinês, e o templo servia de residência a monges budistas que consideraram a mesa da assinatura do acordo uma relíquia histórica e a conservaram até hoje. E por fim, uma lenda no Templo de Kun Iam. Conta-se que dois namorados impedidos de casar pelo pai da jovem preferiram pôr ali termo à vida abraçados. No sítio onde morreram, no jardim do pagode, nasceram duas árvores com os ramos entrelaçados que ficaram conhecidas como as Árvores dos Namorados.

 

TEMPLO TAM KUNG – COLOANE

 

Este templo de pescadores data da segunda metade do século XIX, pensa-se que de 1862. Tem um altar principal com a imagem de Tam Kong, venerado pelos pescadores que frequentam as águas e o porto de pesca da ilha de Coloane, e outros dois que o ladeiam. No interior da capela, a oferenda dos pescadores à divindade na altura da inauguração do templo faz a alegria dos visitantes. Um osso de baleia de 120 cm de comprimento, esculpido em forma de barco-dragão. Para os pescadores é um amuleto protector. O que mais marca o templo de Tam Kung, em Coloane, a ilha mais afastada de Macau e a única a ainda manter extensos espaços verdes, é um modelo de um barco dragão feito a partir de um osso de baleia, que, no interior, faz as maravilhas dos visitantes. A réplica tem 120 cm e é tripulada por homens de madeira, com roupas vermelhas e chapéus amarelos. Cheng explica que o barco tem mais de cem anos e foi feito a partir das ossadas de uma baleia que ali deu à costa. Cheng faz parte da Associação de Beneficência Quatro Pagodes que, desde 1964, toma conta deste e de outros três templos em Coloane. O de Tam Kung nada tem a ver com a sumptuosidade de outros pagodes. Só tem uma sala e dois pátios a céu aberto, que não formam divisões já que se encontram nas extremidades do templo. Situado à frente do rio que  separa Coloane da Ilha da Montanha, o templo de Tam Kung mais é idolatrado por gentes do bairro ou pescadores que ali pedem sorte na pesca e nas correntes. É um templo humilde mas tudo o que tem foi dado pelos fiéis que continuam a velar pelo Deus-Criança. Com um sorriso nos lábios, Cheng explica que as despesas do templo são financiadas pela caridade e ofertas às divindades dos fiéis, a sua maioria moradores do bairro. No dia do aniversário de Tam Kung, a associação organiza sessões de ópera chinesa que também ajudam à manutenção do templo. Tam Kung protege os pescadores e todos os que ao mar estão ligados. Conta a crença que este deus era sempre acompanhado por um tigre quando saía de casa, e dentro do pagode de Coloane, num pequeno pátio à frente do qual Cheng montou o seu ‘escritório’, espreita a imagem do animal. Noutro dos terraços deste templo encontra-se uma mesa com sete bancos. Conta a lenda que um dia a mãe de Tam Kung sonhou com uma mesa redonda e sete bancos, todos em ouro. Ao acordar, correu ao local, onde hoje está o pagode, e nada encontrou. Tam Kung mandou então construir aí a mesa e as sete cadeiras em pedra, para consolar a mãe.

 

TEMPLO DE TOU TEI

 

É dedicado a Tou Tei, o deus da Terra, divindade que protege os moradores da cidade. Escondido entre as movimentadas ruas da cidade, nem se dá por ele, não fosse o olho mais experiente procurar a fonte do cheiro acre do incenso que invade a rua. Há quem diga que este é dos mais antigos templos do território. O Templo de Tou Tei é mais conhecido como o templo de Mitra. Está situado ao lado da Rua do Campo, a artéria do comércio de Macau. Este pagode é um dos muitos templos de bairro que existem em Macau, sendo só composto por uma pequena divisão dedicada ao Deus da Terra. No dia do aniversário da divindade, o templo de Mitra enche-se de fiéis que vêm prestar os seus respeitos assim como ver a ópera chinesa que ali é realizada, em honra à divindade. Kok vende pato lacado numa tasquita mesmo em frente do templo. Há 20 anos que ali tem a venda e não está nada arrependida de estar perto do Deus da Terra. No dia do aniversário da divindade, há ali danças do leão e ópera chinesa, juntando curiosos, devotos, turistas e amantes da arte. Juntam-se à volta do templo e do pato lacado. Kok nasceu na China, chegando a Macau para casar. Hoje, já se sente desta terra e se, ao lado do pagode fez a sua vida, não foi para estar perto do Deus Terra, mas para se aproximar do que a terra dá. “Tenho aqui a loja por estar próximo do mercado, mas é bom estar ao pé do templo, dá-me sorte. Às vezes vou lá pedir saúde”. O velho que está sentado à porta do templo já conhece bem Kok. É o responsável pelo templo há mais de 20 anos. Em todos os nichos, vielas, bairros de Macau há um pequeno templo, com divindades que zelam pela vizinhança. São os devotos que velam pelos pequenos pagodes, que tratam de oferecer fruta às divindades ou queimar incensos em sua honra. Mas os pagodes não se limitam às vias publicas, já que até à porta de certos apartamentos de Macau se encontram pequenos altares onde os devotos deixam o incenso a queimar e não há estabelecimento comercial mais tradicional que não tenha o seu altar com oferendas, para que as divindades não cessem de lhes dar sustento.