O próximo ano chinês, conhecido como “bing wu” – “Cavalo de Fogo” –, tem início a 17 de Fevereiro. Segundo mestres de feng shui consultados pela Revista Macau, este será um período marcado por uma energia muito intensa, associada ao elemento Fogo. Tal simboliza um aumento da vitalidade e do dinamismo, mas acarreta, simultaneamente, riscos de oscilações emocionais e acções impulsivas, avisam
Texto Viviana Chan
Com o Ano da Serpente nos seus silvos finais, aproxima-se o início de um novo ciclo lunar chinês, dedicado ao Cavalo, o sétimo animal da ordem tradicional do zodíaco chinês. No seu todo, o simbolismo equestre é amplo e complexo, articulando vitalidade, lealdade e prestígio, mas também um potencial para acções precipitadas.
De acordo com as teorias de feng shui, o ano chinês prestes a começar é conhecido como “bing wu” (“Cavalo de Fogo”): a parte “bing” representa o elemento Fogo de tipo Yang, sendo que a parte “wu” está associada ao Cavalo, também ele ligado ao Fogo – cria-se assim uma configuração de “duplo Fogo”. Por isso, este tipo de ano é frequentemente descrito como uma fase em que a energia se projecta com a intensidade do sol do meio-dia – vibrante, ardente e impossível de ignorar.
Segundo a astrologia chinesa, cada ano chinês tem início na segunda lua nova após o solstício de Inverno: o próximo ano arranca no dia 17 de Fevereiro. A efeméride é assinalada em Macau com três feriados consecutivos (17 a 19 de Fevereiro), correspondentes aos três primeiros dias do ano novo chinês.
No feng shui, o tempo é expresso como um Grande Ciclo de 180 anos lunares chineses, subdividido em três Eras de 60 anos cada – superior, média e inferior –, também conhecidas como Grandes Períodos ou Ciclos. Cada Era ou Ciclo completo do zodíaco chinês é dividido em subciclos de 12 anos, ligados aos 12 animais do zodíaco (relacionados com os denominados “ramos terrestres”).
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Existe um segundo conjunto de subciclos, de dez anos cada, referente aos dez “troncos celestiais” do zodíaco. Cada tronco celestial corresponde a um dos cinco elementos da mitologia chinesa (Água, Madeira, Fogo, Terra e Metal – este último também conhecido como Ouro), associado a uma vertente Yin ou Yang, as duas forças complementares que, de acordo com os mandamentos do feng shui, regem todos os aspectos e fenómenos do mundo.
Sobrepondo o ciclo de 12 anos ligado aos “ramos terrestres” ao de dez anos associado aos “troncos celestiais”, tal significa que cada combinação individual “ramo terrestre”-“tronco celestial” – por exemplo, Serpente com Madeira Yin, o ano prestes a terminar – só se repete a cada 60 anos. O último Ano do Cavalo de Fogo foi em 1966.
A todo o galope
O mestre local de feng shui Sam Pao explica à Revista Macau que o Cavalo assume vários significados na cultura tradicional chinesa. O animal é frequentemente associado à força vital e à liberdade, simbolizando movimento, expansão e determinação – valores reflectidos na expressão “espírito do Dragão e do Cavalo”, um desejo tradicionalmente endereçado a outros durante o período do ano novo chinês, como formulação de votos de vitalidade, saúde e energia, bebendo da força mítica do Dragão e do vigor do Cavalo.
Paralelamente, o Cavalo é visto como símbolo de lealdade e de dedicação. Isso mesmo surge ilustrado em diversas lendas e contos tradicionais chineses, em que o animal, através das suas acções, coloca o seu dono fora de perigo.
Na mitologia chinesa, a figura equestre remete ainda para sucesso e reconhecimento. A imagem do “cavalo de longo alcance”, capaz de percorrer grandes distâncias, associa o animal a talento notável que, eventualmente, encontra valorização.
No entanto, o mestre Sam Pao recorda que esta energia também envolve um lado mais impetuoso: a natureza vigorosa do Cavalo pode traduzir-se em impulsividade, exigindo contenção.

“Para assuntos importantes, o melhor é evitar o período entre as 11h00 e as 13h00, conhecido no zodíaco chinês como ‘hora do Cavalo’”
MESTRE SAM PAO
Sobre a personalidade dos indivíduos do signo Cavalo – aqueles nascidos, por exemplo, em 1942, 1954, 1966, 1978, 1990, 2002 e 2014 –, Sam Pao refere que são frequentemente descritos como pessoas enérgicas e dotadas de grande iniciativa. Pensam depressa, reagem com rapidez e conseguem identificar oportunidades e transformá-las em acção quase de imediato, características que os tornam particularmente aptos para funções pioneiras ou desafios profissionais exigentes. “Entram em acção com forte impulso, gostam de assumir riscos e não receiam enfrentar o desconhecido, procurando sempre superarem-se em vez de se acomodarem”, afirma.
O mestre acrescenta que “os nativos de Cavalo costumam ser sociáveis e optimistas, bons comunicadores e capazes de conquistar rapidamente a confiança dos outros, possuindo considerável carisma”. São também marcadamente independentes, aspiram a uma vida livre de constrangimentos e têm elevada confiança nas suas próprias capacidades, revelando resistência a regras demasiado rígidas.
Contudo, o excesso de entusiasmo pode gerar impaciência ou irritabilidade, e tarefas repetitivas tendem a aborrecer os nascidos sob a égide de Cavalo. Nalguns casos, a autoconfiança pode tornar-se excessiva, levando a uma postura mais arrogante e à dificuldade em aceitar conselhos. Por isso, apesar da energia e da coragem, é necessário equilibrarem essas qualidades com doses de serenidade e abertura, aconselha Sam Pao.
Perigo de ignição
Segundo o mestre, as leituras zodiacais indicam que o ano chinês que se aproxima será “extremamente carregado de energia proveniente do elemento Fogo”, já que a combinação “bing wu” representa a plenitude deste elemento e cria uma configuração de “duplo fogo”, sinal de intensidade e de convergência energética.
Essa força poderá tornar mais fácil o desencadear de emoções fortes e de novas situações. “Haverá quem aja por impulso e isso pode gerar discussões. Até no ambiente de trabalho, os conflitos poderão surgir com maior facilidade”, observa.
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O especialista refere que, além de aumentarem o potencial de atrito, os anos de duplo Fogo tendem a provocar mudanças rápidas em vários sectores. Sam Pao cita o desenvolvimento tecnológico como exemplo: “A aplicação da inteligência artificial está já muito avançada e no futuro poderá originar transformações de grande escala.”
O especialista acredita ainda que a energia do ano incentivará uma maior concretização de iniciativas pessoais. Tal pode levar ao avanço, de forma súbita, de projectos individuais que vinham a ser adiados.
Por sua vez, o mestre de feng shui Raymond Lo Hang Lap, de Hong Kong, explica que o Fogo ligado a “bing” é comparável ao sol, simbolizando “energia positiva” e uma força naturalmente apreciada.
“Os nativos do elemento Fogo ‘bing’ gostam normalmente de fazer amizades, são calorosos e têm forte capacidade de expressão”, refere. Tal traduz-se num estado de espírito mais aberto, tendo como lado adverso comportamentos “pouco ponderados, demasiado impetuosos ou impulsivos”.
O mestre acrescenta que, do ponto de vista da metafísica chinesa, um padrão dominado pelo Fogo pode aumentar riscos de acidentes associados a este elemento e ao “Céu”, como explosões, incêndios ou incidentes aéreos. Paralelamente, a ausência do elemento Água dificulta o equilíbrio: “Quando o desequilíbrio é extremo, surgem alterações climáticas muito acentuadas, com maior incidência de desastres naturais, como tufões.”

“Os nativos do elemento Fogo ‘bing’ gostam normalmente de fazer amizades, são calorosos e têm forte capacidade de expressão“
MESTRE RAYMOND LO
Raymond Lo sublinha ainda que o Fogo “bing” se relaciona com a energia nuclear, bem como com o coração e o sistema circulatório humanos. O mestre alerta para a necessidade de atenção redobrada à segurança nuclear e às doenças cardiovasculares ou inflamatórias. Como o Fogo domina o Metal – elemento que representa o sistema respiratório –, o excesso de Fogo pode favorecer o aumento de gripes e outras infecções respiratórias, avisa.
Para evitar conflitos resultantes do excesso de energia ígnea, Sam Pao recomenda a aplicação dos princípios de geração dos cinco elementos, visando harmonizar o ambiente. “O Fogo gera a Terra e a Terra gera o Metal”, explica, sugerindo que a introdução de Metal no dia-a-dia pode criar uma atmosfera mais favorável. Entre as práticas indicadas, estão a presença de “mais utensílios metálicos no quotidiano, adquirir peças grandes de metal para a casa ou usar acessórios como colares ou pulseiras de platina”.
O mestre adverte igualmente que, nos períodos em que a energia do Fogo atinge o seu auge, as pessoas podem tornar-se mais impacientes, sendo aconselhável evitar mudanças de casa, inaugurações ou a assinatura de contratos importantes, tudo para minimizar o risco de erros ou confusões. E esclarece: “Para assuntos importantes, o melhor é evitar o período entre as 11h00 e as 13h00, conhecido no zodíaco chinês como ‘hora do Cavalo’.”
Na organização doméstica, recomenda-se o recurso a cores suaves e frias – como acessórios decorativos em azul-claro ou pinturas de paisagens –, para criar uma sensação visual de frescura e favorecer um ambiente estável e tranquilo.
Economia a bom ritmo
O mestre Raymond Lo olha para o próximo ano chinês com uma leitura optimista do zodíaco no que toca ao desempenho económico. “Os chineses gostam do Fogo e da cor vermelha. Festas, banquetes e as decorações de ano novo usam sempre o vermelho, que transmite confiança. Isso anima a economia e faz subir as bolsas.”
O especialista acredita que os sectores ligados aos elementos Água, Metal e Madeira vão beneficiar de vantagens no novo ciclo. Sobre as indústrias ligadas à Água, explica: “Para a Água, o Fogo é riqueza. Água com Fogo significa fortuna.” Assim, transportes, navegação marítima e indústrias ligadas a operações aquáticas deverão encontrar condições favoráveis durante o ano.
Por outro lado, Raymond Lo lembra o princípio tradicional de que “o Fogo dá forma ao Metal”. Isso deve reflectir-se positivamente nos sectores das finanças, alta tecnologia, produção automóvel e indústria pesada. Embora o Fogo possa “dominar o Metal, criando dificuldades, esse mesmo processo funciona como refinamento e crescimento”, explica o mestre.
Os sectores associados ao elemento Madeira também devem ganhar novo impulso durante o Ano do Cavalo de Fogo, devido ao princípio de que “a Madeira alimenta o Fogo”. Moda, ambiente, imprensa e bens essenciais inserem-se neste conjunto e deverão auferir de maior dinamismo.
Já os sectores do elemento Fogo poderão enfrentar maior competição. “Quando o Fogo encontra Fogo, a rivalidade intensifica-se”, nota Raymond Lo. Indústrias associadas à electrónica, energia e ao petróleo podem, assim, sentir pressões competitivas adicionais em 2026.

