Sustentabilidade

Macao Water garante água reciclada de qualidade

Jacky Lei Chi Tou, director-geral adjunto da Macao Water

Texto Cherry Chan
Fotografia Lei Heong Ieong

Saída de comemorar o seu 90.º aniversário no ano passado, a Sociedade de Abastecimento de Águas de Macau, S.A. – mais conhecida por Macao Water – abraça agora um novo desafio: gerir o sistema de água reciclada da cidade. De acordo com Jacky Lei Chi Tou, director-geral adjunto da empresa, mesmo que esta forma de água não seja destinada ao consumo humano, o objectivo passa por assegurar elevados padrões de qualidade.

A Macao Water, de capitais privados, tem a concessão do abastecimento de água potável à Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) até 2030. A isso, soma-se agora a área da água reciclada. Como explica Jacky Lei, a empresa é responsável pelo processamento da água proveniente das estações de tratamento de águas residuais – recai sobre si a operação da Estação de Água Reciclada de Coloane –, pelo posterior bombeamento e entrega aos consumidores e, finalmente, pela facturação.

Os clientes da Macao Water podem utilizar água reciclada sem necessidade de cumprir outras formalidades, desde que em edifícios já ligados à rede. No que toca às tarifas, o uso de água reciclada é pago, mas beneficia de um valor mais baixo do que a água potável: a tarifa de água reciclada corresponde a 85 por cento da tarifa de água potável, segundo estipulado por ordem executiva.

O valor total a pagar pela utilização de água reciclada é calculado por tipo – consumo residencial, não residencial ou especial –, seguindo o mecanismo utilizado para a água potável. No caso do consumo de água residencial, a tarifa da água reciclada não é calculada por escalões de consumo, mas apenas de acordo com o primeiro escalão da tarifa de utilização de água potável.

Em cada factura emitida pela Macao Water, serão discriminados o volume e o custo do consumo de água potável e de água reciclada pelos clientes elegíveis. O utente terá apenas de efectuar um único pagamento, no valor conjunto total.

Padrões de qualidade

O critério de qualidade da água reciclada em Macau tem como referência os padrões em vigor no Interior da China, nomeadamente a norma GB/T 18920-2020. Para assegurar a conformidade com estes níveis, são realizados testes diários à água reciclada saída da estação de Coloane.

Por exemplo, estão definidos valores para a turbidez, qualidade que se relaciona com a perda de clareza por parte da água devido à presença de partículas em suspensão. A turbidez é tipicamente expressa em NTU e, no caso da água reciclada em Macau, deve ser igual ou inferior a 5 NTU. Além disso, não podem ser detectados vestígios da bactéria Escherichia coli (E. coli), o principal indicador de contaminação fecal em água.

A desinfecção da água reciclada é um dos passos finais antes da sua disponibilização ao público. Os critérios de qualidade adoptados pela RAEM estipulam um valor de concentração de cloro residual igual ou superior a 1.0 miligramas por litro como indicador de higiene e para assegurar a existência de uma barreira sanitária adequada. Para o pH, é estipulado um intervalo entre 6 e 9.

De acordo com Jacky Lei, os tratamentos aplicados à água para reciclagem não são uma réplica daqueles utilizados em relação à água potável. No entanto, refere o responsável, há partes da experiência adquirida pela Macao Water no processamento da água para consumo humano que podem ser aplicadas ao sistema de água reciclada. Um exemplo é a automação de processos.

“A operação toma como referência a água potável: monitorizamos o processo de produção e todas as diferentes etapas através de sistemas automatizados, tudo com acompanhamento através de análises detalhadas”, diz.

Com a água reciclada já a correr nas tubagens roxas do complexo de habitação pública de Seac Pai Van e no campus da Universidade de Macau, Jacky Lei explica que estas operações-piloto, de pequena escala, vão permitir à Macao Water ganhar competências na gestão deste tipo de sistemas.

“Estas duas áreas funcionam como uma experiência. Quando conseguirmos operar ao nível desta escala, na fase seguinte, quando expandirmos as operações, saberemos como proceder”, garante.

O processo de aprendizagem, de resto, tem sido contínuo. Jacky Lei refere que, ao longo da implementação da primeira fase do sistema, têm vindo a ser realizadas por parte da Macao Water revisões da respectiva eficácia operacional, bem como ajustes para garantir a preparação para o futuro. “O Governo já tem um plano muito abrangente para o abastecimento de água em Macau”, sublinha o executivo da Macao Water.