Texto Tony Lai
À medida que Macau reforça os esforços na formação de talentos e aprofunda a sua integração na agenda nacional de desenvolvimento, a Universidade de Macau (UM) prepara o seu maior passo desde a mudança para o actual campus, há mais de uma década: a construção de um segundo campus na Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin.
O novo espaço irá acolher um pólo académico com forte ênfase em áreas tecnológicas e científicas, abrangendo ofertas que vão da medicina às ciências da informação. Mais do que uma expansão, o projecto representa uma nova fase no desenvolvimento da instituição e no papel de Macau como plataforma regional no âmbito do ensino superior.
O novo campus reflecte não só as ambições da UM, mas também a estratégia mais ampla do Governo da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM). O novo espaço da UM faz parte do projecto da Cidade (Universitária) de Educação Internacional de Macau e Hengqin, que procura conciliar os recursos académicos de Macau com a capacidade territorial de Hengqin.
De acordo com o plano, as três universidades públicas de Macau – a UM, a Universidade Politécnica de Macau e a Universidade de Turismo de Macau – irão estabelecer pólos na Zona de Cooperação, com o objectivo de reforçar a qualidade do ensino superior e a formação de talentos. A Cidade Universitária funcionará sob o modelo de “uma universidade, duas zonas”, estabelecendo um sistema internacional de alta qualidade, incentivando as universidades de Macau a criarem programas de formação conjunta e colégios conjuntos, com enfoque no desenvolvimento de cursos de ciência, engenharia e interdisciplinares.
A UM será a primeira a estabelecer e gerir um novo campus em Hengqin. Embora ambos os pólos da instituição estejam localizados em Hengqin, funcionam sob regimes jurídicos distintos: o campus actual está sob jurisdição da RAEM e aplica a legislação de Macau, enquanto o novo campus ficará sob jurisdição do Interior da China, funcionando como uma extensão de uma instituição de ensino superior de Macau.
O novo campus será localizado num terreno com aproximadamente 375.600 metros quadrados, com uma área bruta de construção prevista de 831.000 metros quadrados, comparável à dimensão do actual pólo em Hengqin. A construção teve início em Dezembro de 2025, com conclusão prevista para o quarto trimestre de 2028 e a entrada em funcionamento de forma integral no ano seguinte.
De acordo com a UM, o projecto pretende promover uma integração sistemática entre os dois pólos, criando um modelo educativo “equilibrado, interdisciplinar e orientado para a investigação”. A instituição pretende ainda reforçar a capacidade de investigação e inovação, aprofundar a colaboração entre indústria e academia na região da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau e expandir iniciativas e intercâmbios educacionais internacionais.
O segundo campus foi concebido para acolher até 10.000 estudantes, elevando potencialmente a capacidade total da UM para mais de 25.000 alunos. As instalações planeadas incluem um edifício central de ensino, um complexo desportivo, um centro de intercâmbio internacional e novas residências para estudantes e funcionários, bem como diversas infra-estruturas de apoio.
Novas faculdades
O novo campus permitirá à UM reforçar a sua oferta académica, com a instituição a anunciar a criação de cinco novas faculdades: Medicina, Ciências da Informação e Computação, Engenharia, Design e Ciências. As novas faculdades deverão iniciar actividade a 1 de Agosto de 2026, segundo a UM. Com excepção da Faculdade de Ciências, as outras quatro faculdades estarão sediadas no novo campus, mas providenciado também programas curriculares no actual pólo universitário.
A Faculdade de Medicina, que será criada através da integração e expansão da actual Faculdade de Ciências da Saúde, deverá contar com até 4000 estudantes e pretende tornar-se numa instituição de formação médica de classe mundial, com uma forte componente de investigação.
Oferecerá programas profissionais, incluindo um programa conjunto de medicina clínica com a Universidade de Lisboa, com departamentos que abrangem, entre outros, as ciências biomédicas, as ciências farmacêuticas, a saúde pública e a administração médica, a nutrição e a medicina dentária.
A Faculdade de Ciências da Informação e Computação, criada a partir da actual Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT), terá também capacidade para acolher cerca de 4000 estudantes, focando-se em áreas como inteligência artificial, robótica, microelectrónica, tecnologia financeira e ciências da computação.
A nova Faculdade de Engenharia, criada também através da reestruturação da FCT e com capacidade prevista para cerca de 4000 alunos, pretende responder à crescente procura por profissionais qualificados e inovação tecnológica na área da engenharia em Macau e na Grande Baía.
A Faculdade de Design, que poderá acolher até 1500 estudantes, contará com departamentos de design de comunicação visual, arquitectura e urbanismo e design industrial, visando reforçar o perfil de Macau no domínio da educação em design e indústrias criativas.
Campus temporário
A expansão da oferta académica da UM, porém, não esperará por 2029. No âmbito do projecto da Cidade Universitária, a UM e as outras duas universidades públicas da RAEM irão começar a oferecer programas de pós-graduação já no ano lectivo de 2026/2027.
A primeira fase da Cidade Universitária, com início previsto para Setembro do corrente ano, poderá acolher até 1200 alunos, com predominância para o nível de pós‑graduação. Já foi iniciado o projecto de transformação do complexo “Dezhi Plaza” em Hengqin – com cerca de 65.000 metros quadrados – de forma a promover a concretização da primeira fase do modelo de extensão pedagógica das três universidades públicas de Macau.
As aulas e programas de investigação das quatro novas faculdades da UM deverão também ter início neste espaço provisório. A instituição planeia lançar inicialmente 23 programas de pós-graduação, abrangendo áreas como inteligência artificial, microelectrónica, saúde pública, finanças quantitativas, engenharia electromecânica e design industrial.
A UM prevê ainda estabelecer novas instalações de investigação no espaço provisório, incluindo sucursais em Hengqin dos laboratórios de referência do Estado.


