Passagem fronteiriça

Uma porta de entrada mais conveniente

Macau registou mais de 6,27 milhões de movimentos de cidadãos estrangeiros em 2025
Fronteiras mais rápidas, menos burocracia e novas soluções tecnológicas. O Corpo de Polícia de Segurança Pública tem vindo a simplificar a entrada e saída da cidade, facilitando a vida aos estrangeiros e reforçando as ligações de Macau ao Interior da China e ao resto do mundo

Texto Cherry Chan
Fotografia Cheong Kam Ka

Há duas décadas, os procedimentos de passagem fronteiriça em Macau dependiam inteiramente da inspecção manual. Em 2005, foram introduzidos os canais de passagem automática, que, entretanto, se tornaram numa das principais formas de entrada e saída de Macau para residentes locais, do Interior da China e de Hong Kong.

Desde os tradicionais canais automáticos de “duas portas”, que recorrem à leitura de documentos e à digitalização das impressões digitais, até aos canais de inspecção fronteiriça integral de “três portas” entre o Interior da China e Macau, a Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) tem apostado na cooperação regional e na tecnologia para tornar as fronteiras mais eficientes.

Nesse sentido, o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) tem vindo a desenvolver continuamente medidas destinadas a facilitar os procedimentos de entrada e saída da cidade. Em articulação com a Direcção dos Serviços das Forças de Segurança de Macau, a Estação Geral de Inspecção Fronteiriça de Zhuhai e o Departamento de Imigração de Hong Kong, têm sido implementadas soluções destinadas a optimizar o controlo fronteiriço e a simplificar os procedimentos de inspecção, inclusive para estrangeiros.

O objectivo passa não apenas por facilitar a circulação de pessoas, mas também por reforçar o papel de Macau enquanto plataforma de abertura ao exterior de nível mais elevado. Códigos QR, reconhecimento da íris e reconhecimento facial inteligente fazem hoje parte das soluções utilizadas para simplificar os procedimentos de entrada e saída, sem comprometer a segurança fronteiriça.

Esta aposta acompanha o posicionamento da RAEM como “Um Centro, Uma Plataforma e Uma Base”, “um pólo” e a crescente projecção internacional da cidade enquanto plataforma entre a China e os países de língua portuguesa, centro mundial de turismo e lazer e destino de convenções, exposições, desporto e entretenimento.

Mais países, menos barreiras

A dimensão do desafio é considerável. Em 2025, Macau registou mais de 6,27 milhões de movimentos de cidadãos estrangeiros, incluindo turistas, trabalhadores estrangeiros e estudantes estrangeiros, um aumento de 14,5 por cento em relação a 2024. Aproximadamente 124 mil movimentos efectuados por indivíduos estrangeiros utilizaram os canais automáticos em 2025, um crescimento de 65,4 por cento em relação ao ano anterior. 

De Janeiro a Junho deste ano, Macau registou cerca de 3,27 milhões de movimentos de indivíduos estrangeiros, 76 mil dos quais realizados através dos canais de passagem automática, representando aumentos de 6,5 por cento e 32,6 por cento, respectivamente, em comparação com o mesmo período de 2025.

O acesso aos canais automáticos de passagem fronteiriça tem vindo a ser alargado a estrangeiros

Segundo o chefe do Departamento de Controlo Fronteiriço do CPSP, Lao Ka Weng, “para facilitar a vinda de cidadãos estrangeiros a Macau, desde o ano passado foram acrescentados vários países cujos cidadãos podem entrar na RAEM com isenção de visto ou mediante autorização prévia de entrada”. Actualmente, a medida abrange 88 países, acrescentou.

O representante adiantou que “quanto à grande maioria dos restantes visitantes estrangeiros que não beneficiam de isenção de visto, estes podem requerer, à chegada a Macau, nos postos fronteiriços, uma autorização de entrada e permanência”, vulgarmente conhecida como “visto à chegada”.

A simplificação não se limita aos vistos. O acesso aos canais automáticos também tem vindo a ser alargado a visitantes internacionais.

“Com o objectivo de aumentar a eficiência dos procedimentos fronteiriços e melhorar a experiência dos visitantes internacionais, em 2024 e 2025, o CPSP alargou sucessivamente a utilização dos canais automáticos de Macau a visitantes de Singapura, Portugal, Brasil, Alemanha, França, Malásia e Espanha”, realçou o mesmo responsável. “Com os visitantes da Austrália e da Coreia do Sul, que já estavam abrangidos, visitantes de nove países podem actualmente efectuar o registo para utilizar os tradicionais canais automáticos de ‘duas portas’ de Macau.” 

Os visitantes estrangeiros entram e saem actualmente de Macau sobretudo através das Portas do Cerco, do Posto Fronteiriço da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, dos terminais marítimos do Porto Exterior e Taipa e do Aeroporto Internacional de Macau, de acordo com dados das autoridades.

Uma passagem cada vez mais integrada

A par da abertura ao exterior, a crescente integração de Macau na Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau e na Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin tem aumentado a frequência das deslocações entre Guangdong e Macau.

É neste contexto que surgem os canais de inspecção integral automáticos, que permitem simplificar a passagem entre as duas jurisdições.

“Após consultas entre o Corpo de Polícia de Segurança Pública e a Estação Geral de Inspecção Fronteiriça de Zhuhai, a partir de 28 de Outubro de 2024 foi lançado, a título experimental, no Posto Fronteiriço de Hengqin, um alargamento dos utilizadores elegíveis dos canais de inspecção integral automáticos, passando a abranger três novas categorias de titulares de passaportes estrangeiros”, de acordo com Lao Ka Weng. 


“Desde o ano passado, foram acrescentados vários países cujos cidadãos podem entrar na RAEM com isenção de visto ou mediante autorização prévia de entrada”

LAO KA WENG
CHEFE DO DEPARTAMENTO DE CONTROLO FRONTEIRIÇO DO CPSP

Depois de concluídos os procedimentos de registo para a passagem automática nas fronteiras do Interior da China e de Macau, estes podem utilizar os canais de inspecção integral automáticos daquele posto fronteiriço. A 26 de Janeiro de 2026, esta medida foi alargada ao posto fronteiriço da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau (Salas de Inspecção Zhuhai-Macau), afirmou o representante.

Depois de efectuado o registo, os cidadãos estrangeiros elegíveis podem igualmente utilizar os tradicionais canais automáticos de “duas portas” nas Portas do Cerco, nos terminais marítimos do Porto Exterior, da Taipa e do Porto Interior, no Aeroporto Internacional de Macau e no posto fronteiriço da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau (Salas de Inspecção Hong Kong-Macau).

O objectivo é reduzir o tempo necessário para atravessar a fronteira e tornar mais simples a circulação não apenas dos residentes, mas também dos visitantes internacionais que se deslocam entre o Interior da China e Macau.

A Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau abriu uma nova porta de entrada para quem chega à RAEM através do Aeroporto Internacional de Hong Kong. Desde Junho de 2025, uma nova medida tornou esse percurso ainda mais simples para determinados visitantes estrangeiros: cumprir as formalidades fronteiriças sem sair do automóvel.

“Desde 9 de Junho de 2025, o Posto Fronteiriço de Macau da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau permite que visitantes estrangeiros elegíveis, que viajem em veículos com capacidade máxima de nove lugares, efectuem os procedimentos de entrada e saída através das faixas destinadas a veículos”, salientou o chefe do Departamento de Controlo Fronteiriço do CPSP.

“Os visitantes internacionais isentos de visto para Macau podem, munidos de passaporte válido, efectuar os procedimentos de entrada sem sair do veículo através das faixas de entrada daquele posto fronteiriço. Os visitantes internacionais que não beneficiem de isenção de visto podem efectuar os procedimentos de entrada na sala de inspecção destinada aos passageiros dos veículos”, afirmou Lao Ka Weng. “Todos os visitantes estrangeiros titulares de passaporte válido podem efectuar os procedimentos de saída sem sair do veículo através das respectivas faixas de saída”, acrescentou.

A medida reduz, para os passageiros elegíveis, o tempo necessário para concluir a passagem transfronteiriça.

Reforçar o posicionamento de Macau

As medidas de facilitação fronteiriça têm também uma dimensão económica e turística. Para grandes eventos internacionais realizados em Macau, o CPSP dispõe de mecanismos destinados a acelerar a passagem dos participantes.

“Por exemplo, durante a realização de eventos como a Conferência Ministerial do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Macau) e da Reunião Ministerial do Turismo da APEC [Cooperação Económica da Ásia-Pacífico], o CPSP coopera com as entidades organizadoras, criando canais verdes específicos nos postos fronteiriços para permitir uma passagem rápida dos participantes e contribuir para o estabelecimento de uma boa imagem internacional de Macau enquanto destino de convenções e exposições”, referiu Lao Ka Weng.

Uma outra mudança está a permitir que Macau funcione cada vez mais como ponto de partida para descobrir cidades do Interior da China.

Segundo o dirigente do CPSP, “desde a aplicação, em Novembro de 2025, nos postos fronteiriços de Hengqin e da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau” da política do Interior da China de “trânsito sem visto de 240 horas”, os visitantes estrangeiros elegíveis podem entrar, a partir de Macau e através destes dois postos fronteiriços, em determinadas regiões do Interior da China, onde podem permanecer por um período não superior a dez dias. Esta medida “não só facilita as actividades turísticas e comerciais dos visitantes estrangeiros entre o Interior da China e Macau, como também cria condições favoráveis para que as cidades da Grande Baía e Macau desenvolvam conjuntamente o turismo de ‘um itinerário, vários destinos’”, realçou Lao Ka Weng. 

Com o avanço da tecnologia, a passagem de veículos ficou também bastante facilitada

O CPSP “tem também cooperado activamente com o sector turístico na promoção desta medida, reforçando ainda mais o papel de Macau enquanto plataforma de ligação entre o Interior da China e o resto do mundo”, adiantou o mesmo responsável.

A transformação tecnológica deverá, entretanto, continuar. De acordo com o chefe do Departamento de Controlo Fronteiriço, o CPSP “continuará a desenvolver, com uma abordagem inovadora, mais medidas destinadas a facilitar a passagem fronteiriça”.

Entre as medidas em estudo estão o reforço da cooperação com o Interior da China para facilitar as deslocações de cidadãos estrangeiros entre Macau e Zhuhai e entre Macau e Hengqin, o alargamento dos canais automáticos a visitantes de mais países e a optimização dos procedimentos de autorização prévia de entrada.

Duas décadas depois da introdução dos primeiros canais automáticos, a tecnologia está assim a mudar não apenas a forma de atravessar as fronteiras de Macau, mas também a facilidade com que a cidade se liga à Grande Baía e ao resto do mundo.