Texto Cherry Chan
Fotografia Cheong Kam Ka
De alguns minutos para uma passagem manual, para apenas 10 a 12 segundos através de um canal automático. Em pouco mais de duas décadas, a tecnologia transformou a forma como se entra e sai de Macau, tornando a passagem fronteiriça mais rápida e simples. Impressões digitais, reconhecimento facial e da íris, códigos QR e sistemas que permitem concluir simultaneamente as formalidades de Macau e de Zhuhai fazem hoje parte de uma rotina que abrange milhões de movimentos todos os meses.
Desde 2005, quando Macau introduziu o sistema de passagem fronteiriça automática, estes canais tornaram-se habituais nos postos fronteiriços. Actualmente, coexistem com a inspecção manual e dividem-se essencialmente entre canais automáticos de “duas portas” e de “três portas”, estes últimos baseados no modelo de “inspecção fronteiriça integral” entre o Interior da China e Macau.
A utilização destes sistemas está a ser progressivamente alargada aos visitantes internacionais. Cidadãos da Austrália, Coreia do Sul, Singapura, Portugal, Brasil, Alemanha, França, Malásia e Espanha podem actualmente efectuar o registo necessário para utilizar os tradicionais canais automáticos de “duas portas” nas entradas e saídas de Macau.
Para facilitar as deslocações entre o Interior da China e Macau, o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), após consultas com a Estação Geral de Inspecção Fronteiriça de Zhuhai, alargou igualmente o universo de utilizadores elegíveis dos canais de inspecção integral automáticos em Hengqin e nas Salas de Inspecção Zhuhai-Macau da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau. Titulares de passaportes estrangeiros que preencham determinadas condições podem agora efectuar o registo para utilizar estes canais e recorrer também aos tradicionais canais automáticos de “duas portas” noutros postos fronteiriços. Estes canais estão disponíveis em postos como as Portas do Cerco, os terminais marítimos do Porto Exterior, da Taipa e do Porto Interior, o Aeroporto Internacional de Macau e a Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau (Salas de Inspecção Hong Kong-Macau).
O processo é diferente nos postos que disponham de canais de inspecção fronteiriça integral, como Hengqin ou as Salas de Inspecção Zhuhai-Macau da Ponte Hong Kong–Zhuhai-Macau. Aqui, os canais de “três portas” permitem concluir num único processo os procedimentos de saída de uma jurisdição e de entrada na outra.
Da impressão digital à íris
Ao longo de mais de 20 anos, a tecnologia de identificação também evoluiu. Inicialmente baseada apenas na impressão digital, passou progressivamente a incorporar o reconhecimento facial e da íris.
Até recentemente, os cidadãos estrangeiros que recorriam aos canais de passagem automática de “duas portas” tinham de validar a sua identidade através da combinação de reconhecimento facial e impressão digital. Desde 11 de Junho, titulares do Título de Identificação de Trabalhador Não Residente ou de uma “Autorização Especial de Permanência” para estudantes estrangeiros podem registar-se para utilizar os canais automáticos com reconhecimento facial e da íris, em alternativa à combinação de reconhecimento facial e impressão digital.
Esta última tecnologia trouxe uma alternativa particularmente útil para quem tem dificuldade em utilizar o sistema tradicional devido à baixa nitidez das impressões digitais, além de reforçar as medidas de protecção sanitária.
O reconhecimento da íris poderá, no futuro, chegar a um número ainda maior de viajantes. Segundo o chefe do Departamento de Controlo Fronteiriço do CPSP, Lao Ka Weng, está a ser estudado o alargamento desta tecnologia a mais situações no âmbito dos procedimentos de imigração, com o objectivo de facilitar a passagem de mais pessoas e, ao mesmo tempo, aumentar a eficiência dos canais automáticos.
A biometria é apenas uma das tecnologias utilizadas. Os titulares do Bilhete de Identidade de Residente da Região Administrativa Especial de Macau podem associar a identidade electrónica à conta da aplicação “Conta Única de Macau” e utilizar o telemóvel para atravessar a fronteira. Basta digitalizar nos canais automáticos de “duas portas” o código QR “Minha passagem fronteiriça” e, confirmada a identidade, prosseguir com os restantes procedimentos.
A solução abrange também as deslocações entre Macau e Hong Kong, através dos respectivos “códigos QR de passagem fronteiriça Hong Kong-Macau”. Combinado com o reconhecimento da íris, o sistema permite uma passagem totalmente “sem contacto” e reduz o tempo de verificação em um a dois segundos face ao modelo tradicional da passagem automática, segundo o CPSP.
Duas fronteiras numa só passagem
É na ligação com Zhuhai e Hengqin que a automatização vai mais longe. O modelo de “inspecção fronteiriça integral” concentra num único local – dada a proximidade geográfica – os procedimentos de saída e entrada. A solução exige uma estreita cooperação entre os serviços competentes dos dois lados, tanto para estabelecer procedimentos compatíveis como para assegurar que os utilizadores compreendem o funcionamento do sistema.
Macau implementou este modelo pela primeira vez em 2018, no posto fronteiriço da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau (Salas de Inspecção Zhuhai-Macau). Desde então, a tecnologia e o universo de utilizadores abrangidos têm vindo a evoluir. O sistema está actualmente disponível também nos postos fronteiriços de Hengqin e Qingmao, enquanto cidadãos estrangeiros elegíveis podem utilizar os canais de inspecção integral automáticos das Salas de Inspecção Zhuhai-Macau da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau e de Hengqin.
A capacidade automática foi igualmente reforçada no Aeroporto Internacional de Macau: em 2020, o CPSP aumentou o número de canais no piso das partidas de dois para dez; em 2021, passaram de três para dez no átrio sul das chegadas e de três para oito no átrio norte. O aumento da capacidade traduziu-se também numa redução significativa do tempo necessário para atravessar a fronteira, segundo o chefe do Departamento de Controlo Fronteiriço do CPSP.
Na inspecção manual, esse tempo varia consoante as filas, mas, mesmo sem espera, o processo pode demorar algum tempo, já que o agente necessita de inspeccionar e verificar a autenticidade dos documentos, bem como confirmar a identidade do titular.

De acordo com Lao Ka Weng, a utilização dos canais automáticos de “duas portas” permite concluir a inspecção do lado de Macau em cerca de 10 a 12 segundos. Já a passagem nos canais automáticos de “três portas”, segundo o modelo de “inspecção fronteiriça integral”, demora cerca de 20 segundos e permite concluir simultaneamente as inspecções de Macau e Zhuhai ou Hengqin.
Na circulação de veículos entre Macau e Hengqin, os corredores “One-Stop” concentram numa única faixa procedimentos anteriormente realizados em dois locais. A passagem demora em média cerca de 100 segundos e pode ser concluída em apenas 50 segundos nos casos mais rápidos. Actualmente, mais de 75 por cento dos veículos transfronteiriços utilizam estes canais, que desde 18 de Agosto estão também disponíveis para condutores estrangeiros elegíveis.
Um novo normal
Duas décadas depois da introdução dos primeiros canais automáticos, a tecnologia tornou-se rotina. No primeiro semestre de 2026, cerca de 80 por cento dos movimentos de entrada e saída de Macau foram realizados através destes canais, segundo o CPSP.
Em 2025, o Posto Fronteiriço de Macau da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau foi o principal ponto de entrada e saída utilizado pelos cidadãos estrangeiros que visitaram Macau, concentrando cerca de um terço dos respectivos movimentos fronteiriços. Cerca de 20 por cento utilizaram o Aeroporto Internacional de Macau, enquanto o Terminal Marítimo do Porto Exterior, o Terminal Marítimo da Taipa e as Portas do Cerco representaram, respectivamente, 13,9 por cento, 13,6 por cento e 11,6 por cento.
A tendência deverá continuar. O estudo de soluções que permitam alargar a um maior número de cidadãos estrangeiros o mesmo nível de conveniência na entrada e saída de Macau é uma das linhas de desenvolvimento do CPSP. E, à medida que a tecnologia continua a evoluir, os poucos segundos necessários para atravessar a fronteira poderão tornar-se cada vez mais importantes numa região onde milhões de pessoas estão constantemente em movimento.


