Turismo

APEC coloca Macau no centro da cooperação turística Ásia-Pacífico

A 13.ª Reunião Ministerial do Turismo da APEC decorreu no Complexo da Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa
Representantes das várias economias-membro da APEC estiveram em Macau no final de Junho para a 13.ª Reunião Ministerial do Turismo da organização. O momento permitiu à cidade brilhar no palco internacional, promovendo a sua capacidade organizativa e amplos recursos turísticos

Texto Emanuel Graça
Fotografia Gabinete de Comunicação Social

Foi um duplo sucesso: a realização em Macau, no final de Junho, da 13.ª Reunião Ministerial do Turismo da Cooperação Económica da Ásia-Pacífico (APEC) permitiu, por um lado, afirmar a nível internacional a capacidade local de organização de eventos de elevado nível e serviu, por outro, para promover a cidade como destino turístico.

Num balanço dos trabalhos, a secretária para a Economia e Finanças, Ng Wai Han, salientou que a realização na Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) deste evento marcou um “reconhecimento positivo” da capacidade da cidade de acolher exposições e convenções internacionais de grande escala. Isso, acrescentou a governante, serve como um “forte incentivo” ao reforço do posicionamento de Macau enquanto centro mundial de turismo e lazer.

A reunião ministerial decorreu a 27 de Junho, no Complexo da Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, contando com mais de 200 representantes inscritos. Sob o tema principal “Inovação Digital, Empoderamento Colaborativo: Alavancando o Turismo para uma Comunidade da Ásia-Pacífico”, o evento permitiu aos participantes debaterem novos caminhos para a cooperação turística na região da Ásia-Pacífico.

Motor económico regional

De acordo com uma nota de imprensa da APEC, a inovação digital, a facilitação do turismo e o reforço da cooperação regional estiveram no centro das atenções na Reunião Ministerial do Turismo da organização em Macau.

O turismo continua a ser um dos principais motores económicos da Ásia-Pacífico. Em 2024, as 21 economias-membro da APEC receberam 439 milhões de visitantes internacionais, dos quais 359 milhões eram provenientes de outras economias-membro da organização.

“O sector do turismo é fundamental para concretizar as aspirações das populações a uma vida melhor, impulsionar o crescimento económico e promover o intercâmbio cultural”, afirmou Sun Yeli, ministro da Cultura e Turismo da República Popular da China, na abertura da reunião ministerial. O responsável, que presidiu ao encontro, apontou três prioridades para aprofundar a cooperação turística regional: acelerar a inovação digital, reforçar a colaboração prática para tornar as viagens mais simples e garantir uma distribuição mais ampla dos benefícios do turismo pelas comunidades.

“Precisamos de enriquecer a experiência dos visitantes através do aproveitamento de novas aplicações, como óculos de tradução em tempo real, dispositivos de exoesqueleto e realidade virtual, para ultrapassar barreiras linguísticas, facilitar as deslocações e reforçar as ligações culturais”, notou Sun Yeli, citado pelo comunicado da APEC. “Precisamos de apoiar as empresas no desenvolvimento conjunto de produtos turísticos, na criação de itinerários transfronteiriços e no aumento de voos directos e ligações de cruzeiro na região.”

Macau acolheu igualmente a 67.ª Reunião do Grupo de Trabalho de Turismo da APEC

A promoção de processos de viagem mais simples e eficientes foi outro dos principais temas em discussão. Um estudo da Unidade de Apoio às Políticas da APEC indica que a substituição dos vistos tradicionais por vistos electrónicos pode aumentar os fluxos turísticos bilaterais em até 15 por cento, demonstrando como as reformas digitais podem complementar esforços mais abrangentes para simplificar as deslocações transfronteiriças.

Na reunião, os participantes analisaram ainda de que forma a inovação digital pode apoiar a recuperação do sector e estimular o crescimento económico, assegurando simultaneamente que os benefícios da transformação tecnológica ultrapassam os turistas e chegam também às comunidades locais.

Promover o destino Macau

Antes da reunião ministerial, a RAEM recebeu a 67.ª Reunião do Grupo de Trabalho de Turismo da APEC, que decorreu entre 24 e 25 de Junho. A agenda do encontro incluiu discussões sobre a implementação das actuais quatro áreas prioritárias do Plano Estratégico de Turismo da APEC: transformação digital, desenvolvimento de capital humano, facilitação e competitividade do turismo, e turismo sustentável e crescimento económico.

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A Direcção dos Serviços de Turismo (DST) e a Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico, em representação de Macau-China, participaram no evento na qualidade de “economia-membro convidada”, tendo os representantes da cidade realizado uma apresentação sobre o panorama actual e as perspectivas da indústria turística local. A participação visou contribuir para o reforço do papel da RAEM em organizações internacionais de turismo, fortalecer ligações com o exterior e ajudar a promover o desenvolvimento sustentável do sector em Macau.

A directora da DST, Maria Helena de Senna Fernandes, apresentou, durante a reunião, a estratégia de diversificação adequada da economia “1+4” do Governo da RAEM. Além disso, discutiu o modelo de fomento intersectorial “turismo +” e o aproveitamento das sinergias entre Macau, a Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin e a Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau. Foram também destacadas por Maria Helena de Senna Fernandes iniciativas como o aproveitamento da política nacional de trânsito com isenção de visto por 240 horas, de forma a atrair visitantes internacionais à Grande Baía através de itinerários “multidestinos”, bem como medidas inovadoras de turismo inteligente e divulgação do destino Macau.

O Grupo de Trabalho de Turismo da APEC foi criado em 1991, com o objectivo de reunir os responsáveis do turismo das economias-membro para partilharem informações e trocarem opiniões, desenvolver um papel de plataforma e promover a cooperação e o desenvolvimento do turismo e do comércio. A RAEM, sob a designação “Macau-China”, tornou-se economia-membro convidada em 2001.

Encontros bilaterais de alto nível

Esta foi a segunda vez que a Reunião Ministerial do Turismo da APEC teve lugar em Macau, após tal ter ocorrido em 2014. A decisão pela RAEM surgiu no seguimento da escolha da China para organizar os principais eventos de 2026 da APEC. O Governo Central encarregou a RAEM de receber a Reunião Ministerial do Turismo. Em Novembro, Shenzhen, na província de Guangdong, acolherá a cimeira de líderes da organização.

O encontro entre o Chefe do Executivo e o director-executivo do Secretariado da APEC, Eduardo Navarro Pedrosa, contou com a presença da secretária para a Economia e Finanças, Ng Wai Han

De acordo com o Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, a selecção de Macau para a reunião ministerial sectorial do turismo revestiu-se de “especial significado”, demonstrando, na íntegra, a “profunda confiança e o firme apoio do Governo Central à RAEM”. Nas palavras de Sam Hou Fai, proferidas durante um jantar de boas-vindas às delegações visitantes, “a APEC é uma das plataformas mais importantes de cooperação económica na região Ásia-Pacífico”.

À margem da reunião ministerial, o Chefe do Executivo encontrou-se com o director-executivo do Secretariado da APEC, Eduardo Navarro Pedrosa, com quem trocou opiniões sobre a promoção do desenvolvimento de alta qualidade da indústria turística de Macau e o reforço da cooperação com as economias-membro da APEC.

Sam Hou Fai referiu que, em 2025, o número de visitantes em Macau atingiu um novo recorde histórico, com um crescimento contínuo de turistas estrangeiros, o que reflecte a atractividade internacional da cidade. O responsável recordou que, entre os grandes projectos em curso na RAEM, está a Zona Internacional de Turismo e Cultura Integrados de Macau, a qual pretende ser um espaço cultural de alto nível, combinando exibições culturais, intercâmbios artísticos, turismo e lazer, além de serviços comerciais, com vista a atrair mais visitantes e impulsionar o desenvolvimento económico global da cidade.

O Chefe do Executivo manifestou ainda a esperança de que as economias-membro da APEC aproveitem plenamente a função de plataforma de Macau e as oportunidades geradas pelo desenvolvimento da RAEM e da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin, nomeadamente para acederem ao resto da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau e ao mercado do Interior da China.

Já Eduardo Navarro Pedrosa destacou a forte atractividade de Macau nos domínios do turismo, gastronomia e indústria de convenções e exposições, entre outros. O responsável acrescentou que a visita à RAEM a propósito da reunião ministerial lhe permitiu adquirir boas referências sobre a convergência cultural sino-ocidental local e as vantagens distintas da cidade, além de ter ficado a conhecer de forma mais aprofundada a situação actual do sector turístico local.

O Chefe do Executivo encontrou-se também com o ministro da Cultura e Turismo da China, Sun Yeli, à margem da reunião ministerial. Sam Hou Fai salientou a “grande importância” dada pela RAEM à organização do evento.

Sam Hou Fai com o ministro da Cultura e Turismo da China, Sun Yeli, que presidiu à 13.ª Reunião Ministerial do Turismo da APEC

A nível local, o Chefe do Executivo notou que o projecto da Zona Internacional de Turismo e Cultura Integrados de Macau está a ser impulsionado de forma ordenada e será um veículo fundamental para o desenvolvimento sustentável e de alta qualidade da cidade. Nesse sentido, Sam Hou Fai disse esperar poder contar com o apoio e as opiniões do ministério.

Por sua vez, Sun Yeli reconheceu os trabalhos levados a cabo pela RAEM para organizar com sucesso a reunião ministerial. O responsável apontou ainda que o Ministério da Cultura e Turismo tem prestado continuadamente atenção ao desenvolvimento integral da economia de Macau, salientando que irá prestar apoio à RAEM quanto ao projecto da Zona Internacional de Turismo e Cultura Integrados de Macau.