Urbanismo

Optimismo e expectativas elevadas

A proposta de melhoria das condições de mobilidade entre a zona norte e o resto da Taipa recolhe elogios a nível local

Texto Cherry Chan

A “Actualização do Plano de Ordenamento Urbanístico da Zona Norte da Taipa (2026)” gera reacções positivas entre os líderes de dois grupos cívicos ouvidos pela Revista Macau. Por um lado, é destacada a forma como é promovida a “mobilidade suave” entre a zona norte e a parte central da Taipa; por outro, fala-se da forma como permite perspectivar um futuro melhor para os moradores da área.

O documento encerra em si uma visão “promissora”, diz Jeffrey Lam Ka Chun, vice-presidente da Associação Promotora para o Desenvolvimento da Comunidade da Taipa. Segundo acrescenta, a população local aguarda com optimismo a sua implementação.

“Podemos ver que se trata de uma actualização que visa o bem-estar das pessoas”, refere o responsável. Jeffrey Lam dá como exemplo a proposta de extensão da travessia aérea pedonal que actualmente liga a zona do Estádio de Macau até perto da Rotunda Dr. Sun Yat Sen, num dos extremos da Avenida de Guimarães: prevê-se agora que a infra-estrutura seja estendida até ao Colégio Anglicano de Macau.

Nas palavras do dirigente associativo, tal vai ajudar a reduzir o risco de “conflito entre peões e veículos”, até porque muitos dos passeios existentes junto às estradas da área são relativamente estreitos. “Para as crianças, a passagem aérea pedonal fornece segurança”, diz.

No entanto, a infra-estrutura tem também outros papéis comunitários: “Para os idosos, é o local ideal para darem um passeio depois do jantar. Estas são vantagens adicionais, além de apenas a segurança rodoviária”, explica.

Jeffrey Lam espera que a actualização do Plano de Ordenamento Urbanístico da Zona Norte da Taipa permita igualmente uma optimização das condições rodoviárias e a modernização da rede de esgotos, com vista a criar um sistema de transportes mais eficiente e uma infra-estrutura de drenagem e controlo das águas pluviais mais resiliente. Destaca também o aumento previsto das instalações comunitárias para satisfazer as necessidades dos residentes e a preservação dos templos existentes na zona, contribuindo para reforçar o sentimento de pertença da comunidade.

“Falámos com algumas empresas da zona, e a maioria delas está igualmente optimista em relação ao plano”, acrescenta o dirigente associativo. “Também recebemos alguns comentários de pessoas que vivem nas proximidades da zona de intervenção e estão contentes.”

Perspectiva de futuro

O presidente da Associação de Moradores da Taipa, Chan Chi Seng, concorda que este tipo de planeamento é positivo, pois dá às pessoas uma perspectiva de futuro. No entanto, o responsável sublinha a importância de assegurar uma implementação eficaz, prevenindo de forma antecipada eventuais obstáculos.

“Temos de clarificar como operacionalizar esta actualização”, explica Chan Chi Seng. “Será que poderá ser implementada por fases? E que medidas devem ser tomadas caso surjam contrariedades durante o processo? Estes são aspectos que devem ser tidos em consideração”, afirma.

Na opinião de Jeffrey Lam, a prevenção de inundações associadas às chuvas é uma das questões que urge solucionar no que toca ao norte da Taipa. A isto, soma temas como a conservação urbana e o saneamento ambiental.

“Primeiro, temos de resolver estes problemas”, defende o dirigente associativo. Outras partes do plano podem ser implementadas posteriormente de forma gradual, “analisando passo a passo a situação no terreno” e “tendo também em conta a taxa de crescimento populacional”, sugere.

Embora o processo esteja na sua fase preliminar, Jeffrey Lam mostra-se confiante de que o novo projecto “vai funcionar” e acredita que as autoridades já estão a trabalhar nesse sentido. Ainda assim, sublinha que, “ao longo do processo, no que diz respeito aos pormenores, poderá ser necessária muita comunicação” com a população. Isso, explica, inclui a divulgação – quando possível – de um calendário de implementação, mesmo que ainda provisório.

Já Chan Chi Seng considera que a maioria da população poderá só começar a notar a mudança quando o plano estiver no terreno. Até porque, nota, neste momento existem pormenores em aberto, que terão de ser abordados após a aprovação da actualização em cima da mesa. Ainda assim, enfatiza, o projecto já permite “vislumbrar” como o ambiente urbano e a qualidade de vida na zona norte da Taipa podem vir a ser mudados para melhor.